O reconhecimento da influência no meio digital

Escrito originalmente para a revista Negócios da Comunicação, referente ao Prêmio Influenciadores Digitais de 2018

Pouco depois das 19h do dia 23 de julho de 2018, abria-se o coquetel para o 3º Prêmio Influenciadores Digitais. No salão, nomes como Luísa Mell, Léo Stronda, Richard Rasmussen, Thaís Fersoza, Denílson e Taciele Alcolea. Parece uma mistura estranha, mas é apenas o resultado do reconhecimento dos grandes nomes da internet — estejam eles no segmento que estiverem.

Enquanto os convidados chegavam, conversavam e trocavam contatos, nossa equipe conseguiu bater um papo com alguns dos indicados da noite. Thais Fersoza, mais conhecida como Tatá, era uma das mais queridas na categoria Família; não é a toa que garantiu tanto o voto popular quanto o voto técnico, saindo como destaque duas vezes. Sobre o evento, ela se mostrou bem contente: “Eu fico muito feliz, porque é um universo completamente novo para mim, então é uma honra ter sido indicada para participar e agora ganhar”.

Famosa já por sua carreira como atriz, Tatá considera uma mudança positiva o modo como o meio digital transformou sua vida. Agora, ao invés de interpretar um personagem, ela passa um bom tempo sendo ela mesma. “Eu acho que este prêmio tem a ver com isso, a importância dele é essa: você é você, com transparência, e as pessoas te veem da forma que você se mostra para o público”.

Richard Rasmussen é outro exemplo de alguém que migrou das telinhas para os monitores. Em entrevista com a Negócios da Comunicação, o biólogo e apresentador ressaltou que se sente muito mais valorizado e livre na internet do que na televisão. “Há 15 anos eu trabalho na televisão, faz 15 anos que toda semana eu entrego um programa, TV fechada ou aberta, e nunca ganhei nada, olha que legal. Eu estou feliz que é a primeira coisa que eu ganhei na vida!”, afirmou, referindo-se ao prêmio da noite.

Isso não quer dizer que Richard desconsidere outras plataformas ou que pretenda se afastar delas completamente, mas ele entende que o mundo pede por um novo posicionamento. “Eu acho que o reconhecimento que consolidou o meu trabalho foi na televisão, ela me deu um posicionamento que eu acho importante”, destacou. “Porém o jovem de hoje não vai esperar uma hora para passar um programa na televisão, ele vai para dentro da plataforma me assistir e eu acho que isso tem sido muito legal para nós criadores de conteúdo”. Richard também foi duplo destaque em sua categoria, Meio Ambiente e Sustentabilidade.

É claro que nem todos os influenciadores digitais vieram da TV. A maioria, na verdade, já iniciou sua carreira online. Podem até ter vindo de outra área, mas a magia das plataformas digitais é justamente a união de entretenimento e difusão de conhecimento. Foi o caso do professor Jubilut, com seu canal Biologia Total, indicado na categoria Educação.

Com o sucesso de seus vídeos e site, Jubilut construiu uma empresa que atualmente vende cursos de diversas disciplinas e conta com cerca de 30 funcionários. Ele reconhece a importância (e dificuldade) de dividir seu tempo entre professor e empresário. “Hoje, só 2% das pessoas que entram nas universidades querem seguir a docência. Quando existem professores que conseguiram se dar bem dentro da profissão, no mercado digital que seja, isso motiva as pessoas a seguirem essa carreira, e o Brasil mais do que nunca está precisando de professores”.

Foram muitas conversas e insights interessantes, mas a premiação precisava começar. Entrando para o teatro do Maksoud Plaza, todos os influenciadores, seus amigos e familiares sentaram para assistir ao evento. O mestre de cerimônias Marcelo do Ó iniciou sua fala explicando a importância do prêmio para os indicados e para as marcas, logo em seguida convocando diversas pessoas para entregarem os primeiros prêmios. Entre os convocados estavam Anderson Moço, Juliana Mairinque, Everson Neves, Fernando Campoi, Michel Blanco, Camila Fona e o próprio Márcio Cardial, da Negócios da Comunicação.

Depois que todos os vencedores que estavam presentes receberam seus prêmios, as categorias foram revisitadas para a entrega dos destaques, desconhecidos até então. Na maioria dos casos, foi um só destaque dividindo-se entre as modalidades popular e técnico, mas algumas categorias premiaram dois destaques (Mairo Vergara no voto técnico e Débora Aladim no voto popular da categoria Educação; e Publicitários Criativos no voto técnico e Criatives no voto popular da categoria Mídia e Comunicação).

Ao final do evento, doces e café foram servidos e aos poucos o local foi se esvaziando, com os vencedores carregando tanto seus troféus quanto sorrisos nos rostos.

Em busca da representatividade

Publicado originalmente na Revista Código, em setembro de 2017

O Jornalismo é mais do que uma profissão: é uma engrenagem fundamental da nossa sociedade. Seria lógico, então, que todos os componentes da sociedade estivessem representados por dentro e por fora da produção jornalística. Atualmente, mais da metade dos jornalistas brasileiros são mulheres; entretanto, elas ainda recebem menos e estão em poucos cargos de poder. Negros, então, representam apenas 5% dos profissionais da imprensa, e não há dados divulgados sobre a população LGBT no Jornalismo.

Não é uma grande surpresa se considerarmos que o Brasil é campeão em desigualdade: ele está em 7º lugar no ranking da OMS em taxa de homicídios de mulheres no período entre 2006 e 2010, e é o país que mais mata travestis e transexuais no mundo todo, segundo a Transgender Europe. Quando se fala de raça, de acordo com o Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência e Desigualdade (IVJ), entre 2010 e 2015, a morte de jovens negros aumentou em 21,3% em comparação a 2007.

Você já parou para pensar em quem está produzindo notícia no Brasil? Na hora de falar sobre os problemas enfrentados pelas pessoas LGBT, ou pelos negros, é uma exceção quando um membro de um desses grupos realmente representa a si mesmo. São eles, porém, que mais devem ser ouvidos.

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Documento 16

Postado originalmente na revista Gambiart, em junho/2018.

Uma análise atual sobre ficção científica e seu papel na cultura pop

 

Um homem liga a televisão para assistir ao noticiário noturno. Uma série de reportagens é apresentada.

Organizações internacionais estão debatendo os limites éticos na inteligência artificial de robôs. Dois governos poderosos estão ameaçando a segurança do planeta com bombas de destruição em massa. O Nobel de Física vai para cientistas que conseguiram ouvir ondas gravitacionais vindas do universo. A Conferência Geral sobre Pesos e Medidas vai redefinir a medida oficial de um quilo. Um repórter apresenta a tuatara, um réptil que é considerado um fóssil vivo da época dos dinossauros.

Essas parecem notícias futurísticas que caberiam em alguma obra fictícia, mas são todas verdadeiras e recentes. Para a sociedade no geral, as semelhanças são interessantes. Para os fãs de ficção científica, elas são inevitáveis e provavelmente assustadoras.

Ficção científica é um gênero cujos conteúdos se baseiam em conceitos científicos e no impacto das tecnologias, no futuro ou no presente. Isso o diferencia do gênero fantasia que, por sua vez, usa enredos sobrenaturais e sem explicações lógicas. As histórias quase sempre incluem viagens no tempo, vida extraterrestre, aventuras pelo espaço na velocidade da luz e mais.

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Só é arte se for a sua?

Postado originalmente na revista Gambiart, em junho/2018.

REPRODUÇÃO/BIA LEITE, SÉRIE “CRIANÇA VIADA”

A intolerância artística não é, nem de longe, uma novidade dos nossos tempos, mas é difícil acreditar que ela está retornando com tanta força em 2017.

Temos dois exemplos para ilustrar isso. Em 10 de setembro o museu Santander cultural de Porto Alegre fechou a exposição Queermuseu, após diversos protestos que a acusavam de promover a pedofilia, zoofilia e ir contra os bons costumes. No mesmo mês, outra polêmica ainda maior: a apresentação “La Bête”, do artista Wagner Schwartz, foi alvo de manifestações agressivas e acusado, também, de promover a pedofilia. Neste caso, houve violência nos protestos ao Museu de Arte Moderna (MAM), onde a performance foi apresentada.

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Eu, Alex: No dia da visibilidade trans, tenho um conto para você

Publicado originalmente no site De Calça Curta, em janeiro/2017.
REPRODUÇÃO/SCOTT RICHARD/TORBAKHOPPER

 

Hoje é Dia Nacional da Visibilidade Trans e eu tenho uma história pra contar.

Comecei a perceber com 17 anos.

Eu fiz um perfil em um site na internet e decidi marcar a caixinha de “masculino” ao invés de “feminino”. Só isso. Não mudei nada sobre meus interesses, personalidade ou jeito, mas foi um caminho sem volta (felizmente!). Aos poucos eu percebi que minha vida virtual estava muito mais interessante; não que isso não acontecesse antes, mas agora eu conseguia perceber porquê. Aos poucos fui deixando que aquele perfil se tornasse físico, mudando minhas roupas e pronomes.

A internet me deu informações, mas ainda demorei para entender e aceitar o que estava acontecendo. Seria eu não-binário? Genderqueer? Gênero fluído? Eu não estava renegando todas as coisas femininas na minha vida, então eu não poderia ser exatamente trans, né?

Demorou alguns anos, mas eu descobri algumas coisas.

  1. Não existe essa de “mais ou menos” trans. Tudo que eu achei que eu fosse no começo é válido também.
  2. Eu não precisava ser um exemplo perfeito de homem hétero, camisa pólo, cerveja, futebol e pornô para ser homem.
  3. É bem complicado separar machismo de disforia às vezes.

Disforia de gênero, caso você esteja se perguntando, é o que a gente sente quando olha para baixo e vê tudo errado ali. É o que você, homem cis, sentiria se acordasse e descobrisse que tem peitos e que eles não vão sumir. É o que você, mulher cis, sentiria se acordasse e descobrisse que seus peitos sumiram e não vão voltar.

O foda é que crescer em uma sociedade como a nossa sob a forma de uma mulher é uma experiência traumatizante. Enquanto eu descobria mais sobre gêneros, eu também descobria mais sobre feminismo, e conforme a gente vai entendendo a gravidade dos abusos que sofremos – porque ninguém sabe realmente até que alguém te diga “hey, isso não é normal” -, mais nós ficamos assustados. Então como eu poderia saber se eu não estava apenas fugindo de tudo que acontecera durante minha infância e adolescência? Como eu poderia saber se eu realmente não pertencia a esse corpo ou se só não aguentava mais que ele fosse um centro de assédio?

E se fosse isso mesmo, se eu realmente fosse trans, eu estaria preparado para assumir essa identidade para o mundo todo? Minha família? Meu trabalho? Minha faculdade?

Eu estou com 22 anos agora e comecei a terapia hormonal com testosterona há quase seis meses. Vez ou outra ainda me pergunto tudo isso, porque é normal ter dúvidas e crises existenciais. Também me pergunto se vou conseguir concluir os estudos, se vou trabalhar no que gosto, se vou me apaixonar de novo. Ser trans está presente em tudo isso, sim; eu dependo dos outros para conseguir emprego, e relações interpessoais podem ser ainda mais complicadas quando se mistura gênero e sexualidades alheias. Mas no fim das contas são as mesmas perguntas que todo mundo se faz.

Meu nome é Alex Fernandes, eu sou estudante de Jornalismo, não-fumante, irmão mais velho, escritor, leitor, pansexual, feminista, cabelo colorido, libriano, potterhead, homem trans. E eu existo, muito  prazer.

“La La Land” é apaixonante, inspirador e tudo mais que te disseram

Postado originalmente no site De Calça Curta em janeiro/2017

Você já viu vários textos sobre “La La Land” nos últimos meses, eu sei. Você viu o filme ganhando prêmios atrás de prêmios, eu sei. Você ouviu falar muito bem dele, eu sei! Mas se você ainda não está convencido a ir assisti-lo agora mesmo, talvez não tenha ouvido o bastante.

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Bienal do Livro de São Paulo 2016

Publicado originalmente no blog Leitores Inatos em setembro/2016

Leitores costumam ter reações contraditórias ao ouvir falar em Bienal do Livro. Você sabe que vai gastar demais, mas também sabe que vale a pena. Só que além de uma feira de livros com promoções que vão desde ridículas até puramente covardes (como não levar um livro por cinco reais?), a Bienal também tem muito a oferecer em atividades, palestras e atrações. Nós passamos por lá nessa edição de 2016 e temos uma coisinha ou outra para levar de lembrança – e pra nos prepararmos para a próxima!

Em primeiro lugar, o que todos já conhecem e amam: as promoções.

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Estante promocional da Intrínseca com uma Patricia distraída

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